Quais os fatores de risco para gestação ectópica pós-FIV?

Os fatores de risco que levam ao desenvolvimento de gestação ectópica pós-FIV são controversos. A presença de doença tubária parece ser o principal fator de risco.

Pensava-se que as técnicas de transferência de embriões poderiam ter influência. Alguns autores relataram aumento nas taxas de gestação ectópica pós-FIV no que diz respeito ao tipo de cateter usado, posição da paciente e volume de líquido injetado junto com os embriões durante o procedimento de transferência. Outros autores não mostraram alteração significativa nos índices de gestação ectópica relacionada a esses fatores.

Duboisson e cols. reportaram que a taxa de gestação ectópica foi significativamente mais alta quando a indicação de FIV foi por fator tubário (11%) em comparação com a indicação de FIV por endometriose leve (2,1%) ou infertilidade sem causa aparente (3,4%). Resultados similares foram encontrados por Zouves e cols. Portanto, a maioria dos estudos são concordantes em que o principal fator de risco associado é também a presença de doença tubária.

Presume-se que durante o procedimento de transferência de embriões alguns dos pré-embriões sejam levados para dentro da tuba. Em tubas normais os pré-embriões retornam para cavidade uterina, simulando a caminhada fisiológica e natural do ovo fertilizado. Este transporte pode ser interrompido quando a tuba é disfuncional e está alterada por doenças, favorecendo a implantação ectópica.

Karande e Muasher (1991) concluíram que pacientes com história anterior de gravidez ectópica, tem maior chance de desenvolver nova gestação desse tipo. Zouves e cols. mostraram que mulheres com cirurgia reconstrutiva tubária anterior têm uma chance maior de desenvolver gestação ectópica pós-FIV.

A transferência de um número maior de embriões também é relatada como fator de risco para desenvolver gravidez heterotópica.

Trabalhos mais recentes mostram não haver relação entre o aparecimento de gestação ectópica pós-FIV e fatores como abortamento anterior, qualidade dos embriões transferidos, número de oócitos aspirados e o tipo de estimulação ovariana.

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