Pré-eclâmpsia e Eclâmpsia

Neste artigo falaremos sobre pré-eclâmpsia, eclâmpsia, seus sintomas e possibilidades de tratamento

Durante a gravidez a mulher carrega dentro do corpo um ser humano em desenvolvimento que possui carga genética diferente da sua própria, pois 50% dos genes do bebê são transmitidos pelo pai.

O feto não é rejeitado porque o corpo da gestante produz, junto ao sistema imunológico, artifícios para proteger ambos. Entretanto, em algumas gestações pode ocorrer quadros de pré-eclâmpsia e eclâmpsia.

A pré-eclâmpsia, também conhecida como doença hipertensiva específica da gravidez, é um quadro clínico raro que ataca as paredes dos vasos sanguíneos da gestante, causa vasoconstrição e consequente elevação da pressão arterial.

Ela é causada pela liberação de proteínas provenientes do feto incompatíveis com o organismo da mãe que, como resposta imunológica, gera a pré-eclâmpsia.

Essa disfunção da pressão arterial costuma se manifestar a partir da 20ª semana de gravidez, entre o segundo e terceiro trimestre.

Outro quadro clínico parecido pode acontecer depois do nascimento do bebê. Nesses casos ocorre a chamada pré-eclâmpsia pós-parto.

É possível que a elevação da pressão arterial apresente diferentes níveis de intensidade e  aconteça de forma repentina e aguda ou gradativa e contínua.

Pré-eclâmpsia moderada: caracterizada por uma elevação contida da pressão arterial que muitas vezes passa despercebida pela suavidade dos sintomas, porém que apresenta consideráveis riscos para a gestante e o bebê. Indispensável o acompanhamento médico meticuloso mesmo em casos moderados e há a possibilidade de precisar induzir o parto ao chegar o termo da gravidez.

Pré-eclâmpsia grave: caracterizada pela pressão arterial muito alta e dificilmente os sintomas não serão notados.

Pode ser necessária a hospitalização da gestante para que os médicos possam atuar no auxílio dos sintomas e tratamento do quadro clínico.

Em casos extremos pode haver a necessidade de induzir o parto, independente do tempo de duração da gravidez.

É importante reforçar que os exames do pré-natal são muito importantes para o diagnóstico da pré-eclâmpsia e que, na maioria dos casos confirmados da doença, os bebês nascem saudáveis.

Eclâmpsia: muitas pessoas confundem pré-eclâmpsia com eclâmpsia, porém a segunda é muito mais grave e oferece grandes riscos para a vida da mãe e do bebê.

Os quadros de eclâmpsia são acompanhados de convulsões e na grande maioria das vezes o parto do bebê deve ser imediato.

Pré-eclâmpsia pós-parto: pode ocorrer entre 48 horas ou até 6 semanas depois do nascimento da criança.

Os sintomas são praticamente os mesmos, mas enquanto que na pré-eclâmpsia a cura é dar à luz, para tratar a pré-eclâmpsia pós-parto são necessários medicamentos para controle da pressão e prevenção de convulsões.

Principais Causas:

As causas dessa doença ainda não são totalmente compreendidas. Todavia, existem alguns fatores de risco que devem ser observados:

  • Gravidez depois dos 35 anos ou antes dos 18 anos;
  • Primeira gravidez;
  • Ter apresentado quadro de pré-eclâmpsia em gravidez anterior;
  • Obesidade;
  • Gravidez por FIV;
  • Menos de 2 anos ou mais de 10 anos entre uma gravidez e outra;
  • Gravidez gemelar;
  • Enxaqueca, diabetes, lúpus e distúrbios de coagulação;
  • Histórico de doença renal ou pressão alta;
  • Histórico familiar de pré-eclâmpsia ou das doenças acima citadas.

Os sintomas da pré-eclâmpsia:

  • Dores de cabeça contínuas;
  • Vômito e náusea após metade da gestação;
  • Dor no ombro ou na parte de cima do abdome;
  • Ganho repentino de peso;
  • Dificuldade para respirar;
  • Ver pontinhos ou demais alterações na visão;
  • Diminuição da quantidade de urina.

Alguns desses sintomas podem ser confundidos com sinais normais da gravidez.

Vá à unidade de atendimento médico mais próxima ao sentir dores de cabeça muito fortes, visão bastante embaçada, falta de ar intensa ou dores severas no abdome.

Diagnóstico de pré-eclâmpsia:

O diagnóstico de pré-eclâmpsia começa a ser feito, principalmente, pelo monitoramento da pressão arterial no decorrer das consultas do pré-natal.

Caso a pressão chegue a 140/90 mmHg, ou mais, por duas vezes em um intervalo de até 4 horas, há alguma anormalidade no organismo.

É fundamental comunicar ao seu médico qualquer sintoma que tenha apresentado. O diagnóstico precoce influencia de forma direta no tratamento.

É possível que o médico também solicite outros exames:

Análise de Urina: verifica quantidade de proteína no xixi.

Exames de sangue: conferir funções renais e hepáticas, além do nível das plaquetas.

Perfil biofísico: medir tônus muscular, respiração e movimentos do bebê.

Teste de não-estresse fetal: para verificar a reação cardíaca do bebê quando ele se move.

Ultrassonografia fetal: monitorar o desenvolvimento do bebê, estimar seu peso e aferir a quantidade de líquido amniótico.

Opções de tratamento:

A única cura para pré-eclâmpsia é o nascimento do bebê. Porém, o parto prematuro pode apresentar riscos consideráveis para a saúde da criança. O médico deve ponderar e aconselhar sobre as melhores opções de tratamento que devem levar em consideração a severidade da pré-eclâmpsia e o momento da gravidez.

Pré-eclâmpsia moderada: As consultas do pré-natal deverão ser mais frequentes para o monitoramento dos movimentos do bebê e tratamento dos sintomas. Em alguns casos pode haver a necessidade de internação hospitalar.

É possível que a indução do parto seja recomendada na 37ª semana.

Pré-eclâmpsia grave: Na maioria das vezes a internação hospitalar é recomendada. Pode ser necessário o uso de medicamentos para controle da pressão arterial e prevenção de convulsões. Corticoides também costumam ser ministrados para regular o nível das plaquetas, as funções hepáticas e ajudar no amadurecimento pulmonar do feto.

Caso haja piora do quadro o parto pode ser induzido a partir da 34ª semana.

Saiba que a pré-eclâmpsia é uma condição rara e remediável. Com acompanhamento correto ela pode ser controlada pelo seu médico sem maiores complicações.

Lembre-se que a maioria dos bebês nascidos de mulheres que tiveram pré-eclâmpsia são saudáveis e se desenvolvem normalmente. Esse quadro clínico é apenas um risco que deve ser monitorado com responsabilidade.

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no email
Email

Você pode se interessar:

Coronavírus, gestantes e amamentação

Coronavírus, gestantes e amamentação

Neste artigo explicaremos aspectos relevantes da relação entre o coronavírus e gestantes. Há meses estamos passando por uma experiência diferente, mas não incomum: o surgimento

Sexo na Gravidez

Sexo na Gravidez

Neste artigo iremos esclarecer as principais dúvidas sobre sexo na gravidez É comum que existam dúvidas sobre a prática de sexo durante a gravidez. Acelera

Pré-Eclâmpsia e Eclâmpsia

Pré-eclâmpsia e Eclâmpsia

Neste artigo falaremos sobre pré-eclâmpsia, eclâmpsia, seus sintomas e possibilidades de tratamento Durante a gravidez a mulher carrega dentro do corpo um ser humano em

Mitos e Verdades Sobre Gestação Gemelar

Gestação Gemelar: Mitos e Verdades

Você verá nesse artigo alguns esclarecimentos sobre gestação gemelar É normal que uma gestação gemelar, seja de univitelinos ou bivitelinos, venha acompanhada de dúvidas e