Efeitos do coronavirus na fertilidade

Os efeitos da pandemia na fertilidade dos casais

Os dados sobre os efeitos da infecção pelo Covid-19 no sistema reprodutivo são ainda restritos pois o acometimento de humanos é recente. Não houve relatos do vírus no trato reprodutivo feminino, nas secreções vaginais, no líquido amniótico ou no líquido peritoneal, até a presente data.

Não há nada que sugira que os óvulos e espermatozoides sejam afetados diretamente pela infecção com Covid-19 ou outros coronavírus. Os efeitos colaterais da doença, como a febre, pode afetar a espermatogênese. A fertilidade masculina pode estar reduzida por até 8-12 semanas após a infecção, em virtude da diminuição da concentração e motilidade do esperma (1, 2).

O vírus SARS-CoV-2 se acopla aos receptores ACE2, um tipo de “alvo” usado para entrar nas células humanas. O sistema reprodutor masculino está repleto desses “alvos” ACE2, particularmente nas células de Leydig nos testículos e há dados que sugerem que essa proteína ACE2 também desempenha um papel na espermatogênese.

A presença de receptores-alvos ACE2 é muito mais proeminente no sistema reprodutor masculino do que no sistema reprodutor feminino, e o aparecimento deles nas membranas das células em ovários humanos depende da produção de gonadotrofinas (FSH e LH) (3, 4).

Não se sabe com certeza se o vírus afeta esses receptores-alvo ACE2 no sistema reprodutivo e qual impacto, se houver, isso teria na qualidade dos óvulos, no desenvolvimento do embrião ou na gravidez subsequente. Gametas obtidos de pacientes com outras doenças virais, como vírus da imunodeficiência humana e hepatite, devem ser tratados com precauções especiais que visam reduzir a exposição do parceiro não infectado e a contaminação cruzada do tecido reprodutivo dentro do laboratório (5).

Essas precauções não são recomendadas ainda para o SARS-CoV-2, devido à falta de evidências de transmissão pelo sangue ou contato sexual (6). Hoje em dia, não há uma recomendação definitiva sobre a triagem de doadores de óvulos ou espermatozoides para Covid-19. Estas são áreas nas quais são necessárias investigações adicionais para garantir a segurança dos gametas armazenados e a segurança dos pacientes submetidos à reprodução assistida.

REFERÊNCIAS

1. Carlsen E, Andersson AM, Petersen JH, Skakkebaek NE. History of febrile illness and variation in semen quality. Hum Reprod 2003;18:2089–92.

2. Jung A, Schuppe HC. Influence of genital heat stress on semen quality in humans. Andrologia 2007;39:203–15.

3. Robinson J, Kocabas P, Wang H, Cholley P, Cook D, Nilsson A, et al. An atlas of human metabolism. Sci Signal 2020;13:1482.

4. Pan PP, Zhan QT, Le F, Zheng YM, Jin F. Angiotensin-converting enzymes play a dominant role in fertility. Int J Mol Sci 2013;14:21071–86.

5. Practice Committee of American Society for Reproductive Medicine. Recommendations for reducing the risk of viral transmission during fertility treatment with the use of autologous gametes: a committee opinion. Fertil Steril 2013; 99:340–6.

6. ASRM. Patient Management and Clinical Recommendations During the Coronavirus (COVID-19) Pandemic; 2020.

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