Dosagem de beta-hCG em gestações após fertilização in vitro (FIV)

O aumento esperado da dosagem de beta-hCG das gestações naturais pode ser aplicado a gestações após fertilização in vitro.

Valor Preditivo de uma única dosagem de beta-hCG.

Estudos examinando o valor preditivo de uma única dosagem de beta-hCG pós-fertilização in vitro mostraram que os valores são mais elevados para gestações viáveis do que para aquelas que terminam em aborto (Bjercke S ,  Confino E.).

Deve-se fazer a dosagem de beta-hCG dia 13 ou dia 15 após o dia da fertilização

Estudos adicionais demonstraram que as concentrações de beta-hCG determinadas 13 e 15 dias após a fertilização são maiores em gestações resultantes de embriões em estágio de clivagem no dia 3 do que aquelas alcançadas por meio da transferência de blastocistos no dia 5. No entanto, o aumento percentual nas medições seriadas de beta-hCG não diferem entre esses dois grupos (Zhang X). Certamente, nenhuma distinção pode ser feita entre abortos espontâneos e gestações ectópicas com uma única medição.

A proporção entre beta-hCG dia-22/beta-hCG dia-15 pós fertilização – isso importa!!!

Chen et al. avaliaram os níveis de hCG pareados no dia 15 e 22 pós-transferência do embrião para testar se a proporção desses valores era um melhor preditor do resultado da gravidez do que o tempo de duplicação do hCG após a fertilização in vitro. Eles concluíram que a melhor precisão diagnóstica foi obtida por uma combinação de hCG no dia 15 ≥ 150 mIU/mL e uma proporção de hCG-dia-22 / hCG-dia-15 ≥ 15 com especificidade de 94% para gravidez normal. Por outro lado, quando o hCG-dia-15 estava abaixo de 150 mIU/mL e a proporção de hCG-dia-22 / hCG-dia-15 estava abaixo de 15, havia 84% de chance de ser uma gravidez com evolução anormal.

O valor do beta-hCG 50% abaixo do 5º percentil é de mau prognóstico!!

Um estudo subsequente com 143 mulheres descobriu que quando uma concentração inicial de hCG após a fertilização in vitro é inferior a 50% do 5º percentil, então essa gravidez certamente não é viável. (Alahakoon T.I) No entanto, medidas únicas de hCG, mesmo que baixas e com suspeita de gravidez inviável, não podem distinguir entre gestações intrauterinas não viáveis e ectópicas.

Por que dosar o beta-hCG a cada dois dias (pós-FIV)?

Analisando dados de 6021 gestações de FIV, Shamonki et al. criaram curvas logarítmicas prevendo as taxas de nascido vivo dados os níveis iniciais e aumento percentual do beta-hCG em 2 dias após a dosagem inicial (em casos de fertilização in vitro). Consistente com publicações anteriores, esses autores mostraram que quanto maior a porcentagem de aumento do hCG coletado 2 dias após o valor inicial (dias 14 e 16 após a retirada do oócito, por exemplo), melhor a taxa de partos de recém-nascidos vivos. Esses estudos são importantes porque estabelecem o valor prognóstico do beta-hCG para o sucesso da gravidez após a fertilização in vitro.

Não há diferença na taxa de duplicação do beta-hCG comparando gravidez natural com gravidez pós-FIV

Quando comparado com os ciclos de concepção espontânea, o tempo médio de duplicação de hCG após a transferência de embrião de FIV em gestações viáveis parece ser o mesmo (1,4 ± 0,3 versus 1,6 ± 0,4 dias, NS). Em média, o hCG aumentou 50% em 1 dia e 124% em 2 dias, com extremos documentados de apenas 14% ou 30% de aumento em 1 ou 2 dias, respectivamente, ainda resultando em recém-nascido vivo.

Um aumento normal do beta-hCG não exclui evolução anormal da gestação

Um beta-hCG inicialmente com aumento normal não exclui a possibilidade de uma gestação não viável, incluindo gravidez ectópica. Portanto, medidas seriadas de hCG seguidas de ultrassonografia são essenciais para estabelecer o diagnóstico definitivo da viabilidade da gravidez tanto pós-fertilização in vitro, quanto para gestações naturais.

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