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Dor Mamária, Mastalgia, Mastodínea: Por que ocorre?

Dr. Marcos Desidério Ricci

Dor mamária, ou mastalgia é a queixa mais freqüente referida ao médico ginecologista ou mastologista. O primeiro questionamento a ser esclarecido, é tranquilizar a paciente, uma vez que tal sintoma não se relaciona de forma alguma com o câncer de mama. As melhores evidências científicas não associaram, até o momento, a dor mamária com maior predisposição ou risco para câncer de mama. A literatura médica reporta a ocorrência de dor mamária em 30 a 45% das mulheres, podendo ser crônica, recorrente, ou acometer a mulher por um curto período da vida.
Como cerca de uma a cada três mulheres padece de dor mamária, a chance de uma destas ter câncer de mama durante a vida e também uma história pregressa ou atual de mastalgia é grande, mas sem relação de causa e efeito. Outros mitos constantemente vinculados em correntes de e-mails são a associação do câncer de mama com o hábito em usar desodorante nas axilas, ou sutiã com sustentação metálica.

A mastalgia ocorre mais comumente em mulheres jovens, embora possa se manifestar em qualquer período durante a vida.
A mastalgia pode ser cíclica ou acíclica, de acordo com seu aparecimento ou não em alguns dias durante o mês, nas mulheres pré-menopausa das que menstruam.
Dentre as pacientes com dor mamária, a mastalgia cíclica ocorre em torno de 65% dos casos. O período de tempo que esta fica mensalmente exposta à dor é longo, especialmente quando a dor tem início antes dos 20 anos de idade. A resolução desta dor neste grupo ocorre espontaneamente, mas é comumente relacionada com algum evento hormonal, como o início do uso de método contraceptivo hormonal, gravidez ou menopausa. A mastalgia cíclica de leve intensidade é associada com aumento do volume e desconforto das mamas.

O papel da progesterona, estradiol e prolactina na etiologia da mastalgia cíclica têm sido extensivamente estudados. A ação destes hormônios é ambígua, podendo sugerir uma resposta endócrina ao stress da dor. Quando se dosa os níveis no sangue destes hormônios, os valores são normais, mesmo nas pacientes com queixa importante de mastalgia. De tal forma, é possível que, havendo relação com um problema hormonal, este deve se relacionar com modificação da sensibilidade dos receptores de estrógeno e progesterona na glândula mamária.

As pacientes com mastalgia cílica e acíclica apresentam proporções distintas de ésteres de ácidos graxos quando comparadas a mulheres sem queixa mamária. As portadoras de mastalgia cíclica apresentam uma elevação das concentrações plasmáticas dos ésteres dos ácidos graxos saturados palmítico e esteárico e uma redução dos ésteres dos ácidos graxos essenciais poli-insaturados enoléico, gamalinolênico e aracdônico. Estes últimos são componentes importantes da membrana celular, onde residem os receptores hormonais que têm uma fração lipídica.

O comportamento do receptor pode ser significativamente alterado de acordo com a relação entre os ácidos graxos essenciais e os saturados. Como regra geral, o aumento dos ácidos graxos saturados, ou gorduras saturadas, causaria uma afinidade maior dos hormônios, particularmente estrógeno e progesterona, aos seus respectivos receptores na glândula mamária. Se as pacientes com mastalgia apresentarem um acréscimo na proporção de ácidos graxos, ou gorduras saturadas, é bem possível que a resposta das mamas a níveis normais de hormônios circulantes seja intensa. É provável que os fatores que alteram as proporções entre ácidos graxos plasmáticos poderão ser úteis no tratamento da dor mamária. A prescrição via oral de ácidos graxos insaturados, basicamente aqueles incorporados ao óleo de prímula podem atenuar a mastalgia numa população selecionada de mulheres.

Ao lado da pouca consistência, ou dificuldade de incluir o fator endócrino como etiologia da mastalgia, alguns investigadores têm vinculado que este sintoma é uma manifestação de doenças psicológicas ou psiquiátricas. O número de pacientes incluídas nestas avaliações ainda é pequeno, embora cerca de 45 a 84% destas mulheres apresentam distúrbios como ansiedade, depressão com somatização, e menos frequentemente os distúrbios do pânico. Após o tratamento psiquiátrico específicos, cerca de 60% destes pacientes melhoram o quadro de mastalgia. Alguns autores, entretanto, relacionam a uma diminuição da sensibilidade da dolorosa aos antidepressivos e moduladores do humor, que a melhora do quadro de psiquiátrico.

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