Coronavírus, gestantes e amamentação

Neste artigo explicaremos aspectos relevantes da relação entre o coronavírus e gestantes.

Há meses estamos passando por uma experiência diferente, mas não incomum: o surgimento de uma nova doença.

A pandemia do coronavírus (SARs-CoV-2), causadora da doença respiratória Covid-19 deixou o mundo inteiro em estado de alerta.

Em momentos como esse, é comum que apareçam muitas dúvidas e o sentimento de incerteza perante o desconhecido pode preocupar.

Entre as mulheres grávidas, suas parceiras ou parceiros e familiares a preocupação costuma ser ainda maior e muitas perguntas surgem: Gestantes estão mais vulneráveis ao vírus? Existe a possibilidade de contágio para o feto? Há risco de transmissão da doença pela amamentação?

É preciso ressaltar que ainda são poucos os estudos aprofundados sobre o coronavírus, doença contagiosa que se espalha com velocidade. Porém, é preciso manter a calma e buscar as informações disponíveis em manuais internacionais e recomendações de especialistas.

Reunimos aqui, no presente artigo, informações que consideramos importantes para serem compartilhadas.

O Ministério da Saúde apresentou medidas gerais para a contenção do contágio desde a última sexta-feira (13). Elas reforçam a divulgação das que auxiliam a prevenir o contágio pelo coronavírus:

  • Lavar muito bem as mãos regularmente com água e sabão;
  • Aumentar o cuidado com a etiqueta respiratória (cobrir a boca com o antebraço ou lenço descartável ao tossir e espirrar);
  • Usar álcool em gel para higienizar as mãos;
  • Não tocar os olhos, nariz ou boca com as mãos não higienizadas;
  • Evitar aglomerações e contato com pessoas doentes;
  • Manter ambientes bem ventilados
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal (talheres, copos, pratos, roupas, etc.).

O isolamento domiciliar ou hospitalar por 14 dias também é recomendado aos indivíduos com os sintomas da doença: febre, tosse e dificuldade em respirar.

Gestação e Covid-19 (coronavírus)

O Colégio Real de Obstetras e Ginecologistas do Reino Unido publicou semana passada um guia sobre o tema. Nele apontou que gestantes não apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos do coronavírus, se comparadas com o restante da população.

Entretanto, o material disponibilizado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças, (CDC, na sigla em inglês) localizado nos Estados Unidos, não corrobora essa afirmação.

Os especialistas do CDC afirmaram que mulheres grávidas devem ser consideradas um grupo de risco, pois as alterações hormonais e fisiológicas próprias da gravidez refletem no sistema imunológico e aumentam o risco de contrair infecções e doenças graves.

Essas recomendações e entendimentos divergentes não significam que alguma dessas organizações está equivocada, mas que os respectivos países encaram o tratamento médico de formas diferentes. Os britânicos possuem um viés menos medicalizado, o oposto da abordagem estadunidense.

Na realidade, não houve tempo suficiente para produzir estudos comparativos e os guias das instituições são elaborados a partir da opinião de seus especialistas.

O fato é que a condição da gestante sugere a tomada de maiores cuidados, pois além das alterações metabólicas já citadas, a gravidez também restringe a mecânica do sistema respiratório causado pelo crescimento da barriga.

Por isso as gestantes, se infectadas, podem adquirir formas mais graves de doenças respiratórias. Não é possível confirmar se o mesmo se aplica ao coronavírus, mas fazer tudo que for possível para prevenir o contágio é uma medida mais que sensata.

Coronavírus e recém-nascidos

Até o final da produção desse texto (fim de tarde do dia 16 de março) foram registrados no mundo apenas dois casos de bebês contaminados pelo coronavírus. Um deles diagnosticado minutos depois do parto, em Londres, e outro 30 horas depois de ter nascido, na China.

Infectologistas apontam que há o risco de transmissão do Covid-19 para o bebê tanto em partos normais quanto em cesáreas, mas não durante a gestação. Má-formação fetal, por enquanto, também é uma opção descartada pelos médicos.

No caso de contágios que ocorrem durante os partos, eles ocorrem de duas maneiras: no parto natural acontece pelo contato com as secreções envolvidas no processo de dar à luz, e na se cesárea a transmissão ocorre através da via respiratória.

Baseados na literatura produzida até agora, não existem razões científicas que sirvam para classificar um tipo de parto como mais ou menos seguro.

O cuidado com bebês nascidos de mulheres infectadas pela doença é outro ponto que causa divergências pela comunidade científica.

Os guias do CDC, assim como acontece na China, indicam isolamento imediato do recém-nascido.

Os pesquisadores do Colégio Real britânico, por sua vez, afirmaram que não existem evidências concretas sobre os benefícios da separação de rotina e, como essa medida pode prejudicar o aleitamento e o estabelecimento do vínculo entre o bebê e sua mãe, o mais indicado é que cada caso seja analisado de forma separada antes da tomada dessa decisão.

Realizar os teste para o Covid-19 em bebês nascidos de mulheres diagnosticadas ou suspeitas de terem contraído o coronavírus, entretanto, é prática unânime e recomendada em todo mundo.

Amamentação

Por enquanto não existe a comprovação de que seja possível transmitir o vírus pelo leite materno.

Logo, os especialistas do Colégio Real britânico consideram que os efeitos benéficos que a amamentação oferece ao bebê são maiores que o risco de uma eventual transmissão do vírus, contanto que todas as medidas preventivas sejam tomadas. A utilização de máscara pela mãe é imprescindível, bem como a higienização correta das mãos.

Por outro lado, o CDC recomenda que o aleitamento materno de forma direta seja evitado, pois a exposição ao contato próximo com a mãe infectada durante a amamentação não é aconselhável.

O ideal é realizar a ordenha do leite com bombinhas de sucção, respeitando todas as medidas de higiene durante o processo, que também incluem uso de máscara pela mãe e a realização da melhor higiene possível das mãos. A oferta do leite deve ser realizada por uma pessoa não contaminada.

Uma declaração da OMS, através da Unicef, reafirmou a importância da manutenção do aleitamento materno devido ao valor dessa fase para o desenvolvimento do ser humano, e que o principal cuidado está, realmente, em seguir à risca as recomendações para a prevenção do contágio.

Mantenha a calma. Entre em contato com seu médico de confiança para tirar as dúvidas e siga todas as recomendações dos órgãos responsáveis pela saúde pública. A colaboração de todos é fundamental.

Prezar pelo bem-estar de toda a sociedade é um dever de cada um de nós.

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