Rastreamento do Câncer de Mama

Qualquer tipo de câncer é doença que preocupa tanto pela possibilidade de desfecho fatal como pelo sofrimento pessoal, familiar e social que pode acarretar; no entanto, dentre todos, o câncer da mama feminina é um dos que certamente mais preocupa tanto a mulher quanto o médico. Isto decorre da (1) elevada incidência na população, incidência essa que vem crescendo, (2) da elevada taxa de insucesso no tratamento, caso o diagnóstico não seja precoce, (3) além da questão da mutilação promovida por uma cirurgia de mastectomia (remoção da mama), pois mexe muito com toda a imagem feminina, em virtude da mama ser de grande importância na questão da feminilidade.

O tratamento deste câncer tem evoluído muito. Atualmente, realizam-se cirurgias mais conservadoras, ou seja, que não removem totalmente a mama, quando isso é possível. A realização de cirurgias plásticas reconstrutoras vem também paulatinamente crescendo, ajudando a minimizar a perda de um órgão tão importante para a psique feminina. Outras modalidades de tratamento como a quimioterapia, a radioterapia e a hormonioterapia vêm se desenvolvendo muito.

Mesmo assim, o diagnóstico precoce é de suma importância, pois as chances de cura aumentam muito quanto mais precoce for a detecção do câncer. Para isto, estudam-se muito métodos que permitam este rastreamento.

A melhor modalidade de rastreamento do câncer de mama é atualmente a mamografia, que deve ser complementada pelo exame físico. A mamografia consiste na realização de radiografias das mamas em aparelhos especiais, chamados mamógrafos. Já foram utilizadas outras técnicas como a xeromamografia e a termografia, mas que entraram em desuso.

Os mamógrafos atuais expõem o órgão examinado a quantidades muito pequenas de raios-x, não havendo evidência de carcinogênese por este motivo.

Segundo o Colégio Americano de Radiologia e a Sociedade Americana de Câncer, as mamografias bilaterais com finalidade de rastreamento devem ser realizadas aos 40 anos de idade, sendo denominada mamografia de base. Entre 40 e 49 anos, deve ser feita a cada um ou dois anos e, dos 50 anos em diante, deve ser anual, sempre acompanhada de exame físico.

Como todos os exames médicos complementares, a mamografia não é um método perfeito e pode não detectar massas palpáveis em pequena porcentagem dos casos. Por isso, as mesmas sociedades recomendam a realização do auto-exame das mamas, que deve ocorrer cerca de sete dias após a menstruação, quando antes da menopausa, ou sempre no mesmo dia do mês depois da menopausa.

Para concluir, é importante salientar que vários estudos demonstraram a redução da taxa de mortalidade por câncer de mama em mulheres assintomáticas que se submeteram a mamografias de rastreamento.

Dr. Luciano de Melo Pompei

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