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A cavidade uterina humana, usualmente, acomoda um só embrião (feto), que na maioria das vezes se implanta no ponto médio entre o fundo e o orifício interno do útero, no revestimento da parede posterior do útero. Outros embriões ainda se implantam na parede anterior e em outras partes do útero (inclusive no orifício interno, o que pode gerar a placenta prévia).

Muitas mortes embrionárias são detectadas já partir de 4 semanas após a ovulação. Outras gestações mais curtas chegam a atrasar a menstruação por uma semana ou menos, produzindo modestas quantidades de beta-hCG. São frequentemente referidas como “ovos cegos”, já que somente o saco gestacional é detectado ao exame de ultrassom. Essa é uma gravidez rotulada com aborto clínico já que se visualiza o saco gestacional. Algumas formam a placenta, produzem níveis crescentes de beta-hCG, mas entram em decomposição e os níveis de beta-hCG voltam a baixar.

O pico de maior frequência de aborto clínico acontece no final do primeiro trimestre entre a 7ª e a 10ª semana de gestação. Os “ovos cegos” são identificados pela ultrassonografia como sacos gestacionais vazios lá pelo dia 30 pós-fertilização e, às vezes, até antes disso. Sacos gestacionais que desaparecem após 35 dias e fetos “Vanishing” entram em decomposição após o 35º dia da fertilização.

As primigestas (grávidas pela primeira vez) e aquelas com história anterior de gestação à termo (gestações que vão até o final) abortam apenas 5% de suas gestações naturais; porém, essa proporção aumenta para 24% naquelas com história de aborto prévio. Abortos clínicos acontecem em cerca de 8 a 11% das primeiras gestações espontâneas em mulheres com menos de 30 anos. Um estudo da análise de ultrassonografia de 2.730 gestações de primeiro trimestre sem evidência clínica de aborto induzido, identificou morte embrionária em 11% dos casos entre 6-8 semanas; mais de 90% das gestações espontâneas que ultrapassaram a 6ª semana, continuaram até o termo (Steptoe e Edwards, 2001).

Pacientes com perdas gestacionais espontâneas sucessivas durante concepção natural apresentam as seguintes chances de aborto: 24% após 1 aborto prévio, 26% após 2 abortos prévios e 32% após 3 abortos prévios.

As taxas de aborto não são mais elevadas em concepção assistida quando comparadas com a concepção natural. Ao contrário, a taxa de aborto para alguns procedimentos mais simples é até mais baixa: tratamento com Bromocriptina para excesso de prolactina (12%), Inseminação Intrauterina com Sêmen Doador em casos de azoospermia (11%) e endometriose (9%).

Aborto espontâneo ocorre em 16 a 18% das gestações após indução da ovulação com citrato de clomifeno, o que é semelhante às taxas após concepção não assistida.

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