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CUIDADOS NO
PÓS-PARTO
As principais dúvidas das mães (e dos pais também)
O bebê já está em seus braços. Foi um tempo de preocupações, incertezas, mas
de muita alegria. Uma alegria que agora se multiplica milhões e milhões de
vezes com o nascimento. Mas ainda alguns cuidados são necessários no período
que nós, médicos, chamamos de puerperal, com algumas importantes mudanças
físicas que podem inclusive afetar o lado emocional. O Puerpério é o período
de 6 semanas a seguir do parto. A maioria das alterações provocadas pela
gravidez regride na maioria dos sistemas orgânicos do corpo. Podemos dividir
esse período em: 1. Puerpério Imediato - as primeiras 24 horas ; 2.
Puerpério Precoce - a primeira semana e 3. Puerpério Remoto - as 5(Flávio:
não seriam 5?) semanas seguintes(na verdade essa é uma divisão apenas
didática, pois as regressões das modificações que a gravidez provocou no
corpo demoram cerca de 6 meses para sumirem por completo). É uma fase cheia
de dúvidas. Veja algumas delas e as respostas.
1. Qual deve ser o tempo de internamento?
Depende do tipo de parto. NORMAL: alta em 24-48 horas. CESÁRIA:
48-72 horas
A alta hospitalar é dada após a paciente estar em condições de andar sem
apoio, com intestino e bexiga funcionado sem problemas.
As condições de alta dependem também das perdas sangüíneas durante o parto.
A grávida está preparada para perder até 1500 ml de sangue sem problemas.
Isso acontece por todo aquele aumento de volume sanguíneo que aconteceu
durante a gestação. As perdas normais são: durante o PARTO NORMAL = 400 a
600 ml ; Durante a CESÁRIA = 800 a 1000 ml.
2. Como serão as minhas reações emocionais? E a
depressão pós-parto?
Primeiramente vem o alívio com o êxito do parto. Depois chega a
vontade de se relacionar com o recém-nascido. Em seguida sensação de
insegurança e algumas vezes certo grau de depressão, causada pela impressão
de que nada sabe sobre como cuidar do novo ser que agora está fora do útero
e totalmente dependente de sua presteza e de seu amor.
3. Em quanto tempo eu posso levantar e andar ?
Devemos estimular que a puérpera (as mães por favor me desculpem o uso dessa
palavra feia, mas que designa a mulher que acabou de dar à luz) levante
precocemente de seu leito, se houver condições, 6 horas após o parto normal,
e 12 horas após a cesárea. Andar precocemente melhora o funcionamento dos
intestinos e da bexiga e evita complicações trombo-embólicas, ou seja, a
coagulação do sangue dentro das veias, o que pode acontecer, principalmente
nas pernas.
Um inchaço nas pernas, principalmente do lado esquerdo, é comum nos
primeiros dias pós-parto. Isso se deve à redistribuição dos líquidos
contidos na placenta. É como se parte desse líquido fosse armazenado de
forma temporária nas pernas. Deitar com as pernas elevadas pode ajudar a
diminuir esse tipo de problema.
4. Em quanto tempo o intestino volta ao normal?
É normal uma certa demora do funcionamento intestinal , particularmente,
após a cesária, quando uma pequena quantidade de sangue que fica dentro do
abdome dificulta o peristaltismo ou a movimentação dos intestinos. Assim,
uma dieta rica em fibras e alguns laxativos leves serão utilizados nos
primeiros 3 dias.
5. E a bexiga?
Urinar se torna impossível após anestesia (primeiras 12 a 24 horas). Por
isso usamos sonda vesical (na bexiga) de demora (que fica por algum tempo)
após a cesariana. Às vezes, mesmo depois que se retira a sonda (12 horas
após a intervenção), há certa dificuldade em se obter a primeira micção. As
primeiras micções podem inclusive ser dolorosas.
6. Como deve ser a higiene?
Assim que a puérpera se levanta deve tomar um banho.
O fato de lavar a cabeça não afeta e evolução saudável do puerpério.
7. Quais os cuidados com os curativos?
São retirados após 24 horas do parto, no caso de cesárea. Podem ser molhados
durante o primeiro banho desde que depois sejam trocados. Após o segundo dia
mantemos o corte descoberto sem necessidade de curativos. A episiotomia
(corte realizado no períneo para facilitar a expulsão fetal durante o parto
normal) requer apenas limpeza com água e sabonete durante o banho. Nos casos
de dor e ardência - que são freqüentes - usamos alguns anti-sépticos e
analgésicos em forma de "spray" - o que promove alívio.
8. Existem exercícios específicos a serem feitos no
pós-parto?
Sugestões Práticas de Exercícios Durante a Gravidez e Pós-parto.
OBJETIVO: Visam tonificar os músculos da região lombar, assoalho pélvico e
abdome.
Pós-PARTO NORMAL = começam após a segunda semana
Pós-CESÁRIA = começam após a terceira semana
Você pode continuar fazendo exercícios de relaxamento ou caminhadas leves a
qualquer momento após um parto normal. Contudo, é uma boa conduta dar a seu
corpo o devido descanso e um tempo para recuperação, antes de reiniciar um
programa de ginástica. Usualmente, seis semanas é o tempo que se espera para
uma boa recuperação do corpo, se você teve um parto vaginal sem
complicações. Se houve complicações, ou muitas suturas perineais, você
poderia esperar um pouco mais. Se você se sente pronta para reiniciar seus
exercícios antes de seis semanas, discuta o assunto com seu médico.
Em caso de cesariana o tempo de espera para exercícios reguçares e intensos
deve ser maior ou seja, acima de 60 dias após o parto. Esteja sempre em
contato com seu médico sobre seu progresso ao iniciar um programa de
ginástica após a cesariana.
Se recomeçar um programa de ginástica significa retornar à natação,
novamente, converse com seu médico. As incisões e suturas podem não estar
bem cicatrizadas, e a água da piscina possui agentes químicos e bactérias
que podem ser prejudiciais. Queremos salientar que há muitos outros tipos de
exercícios e alongamentos que podem ser praticados na gestação e pós-parto e
que as informações a seguir não substituem as recomendações do seu médico.
Consulte-o sempre que for iniciar qualquer programa de exercícios físicos.
Queremos dizer também que as sugestões abaixo não substituem a presença do
fisioterapeuta e, na verdade, devem ser seguidas ao lado dele, até que você
se sinta segura por estar fazendo os exercícios e alongamentos de modo
correto.
FAZER OS EXERCÍCIOS DE FORMA INCORRETA, ALÉM DE NÃO AJUDAR, PODE PROVOCAR
PROBLEMAS FÍSICOS.
Consulte abaixo os guias de exercícios que poderão ser feitos também durante
a gestação.
9. Como deve ser a
minha dieta?
Deve conter no mínimo 2600 cal/dia.
A puérpera deve ingerir boa quantidade de líquidos o que deve ajudar na
produção do leite.
Nos primeiros 2 meses após o parto o esquema alimentar deve se manter no
mesmo ritmo da gestação, com um acréscimo de cerca de 400 cal/dia, em
virtude da produção do leite.
10. Quando voltar ao médico?
A paciente que amamenta não terá suas menstruações regulares e com muita
freqüência terá ausência delas. Naquelas que não estão amamentando, a
primeira menstruação poderá vir logo após a sexta semana pós-parto. Desse
modo, é após 40 dias que a primeira revisão médica do parto deve ser feita.
Nos casos de cesariana é aconselhável uma revisão 10 dias após a retirada
dos pontos (que é feita uma semana após a intervenção).
11. Em quanto tempo o útero volta ao normal?
De modo geral, 6 semanas é tempo suficiente para que o útero volte ao
tamanho e peso normais. No primeiro dia pós-parto ele já se encontra na
cicatriz umbilical e após 10 dias ele está na sínfise púbica ( ao nível do
osso púbico, logo acima dos pelos pubianos).
A cicatriz da área de inserção placentária dentro do útero (área sangrante)
é responsável pela presença de um constante fluxo de líquidos através da
vagina no período puerperal, denominados de lóquios. No início os lóquios
são vermelhos (rubros), depois vermelho-claros e a seguir amarelados,
cessando após a sexta semana. Portanto, nas primeiras 2 a 3 semanas é normal
apresentar um sangramento semelhante ao da menstruação, que depois vai se
tornando claro e amarelado , até parar.
É comum nos 2 ou 3 dias que seguem o parto a presença de cólicas,
principalmente durante a amamentação, que são a tradução de contrações
vigorosas do útero, com o intuito de acelerar a involução desse órgão.
12. E o meu peso ? Em quanto tempo volto ao peso
com que engravidei?
Um ganho de peso de 9 a 10 Kg durante a gravidez está relacionado a retenção
de água. É normal uma perda de 5,5 Kg logo após o parto devido a saída do
feto , placenta, líquido amniótico e involução uterina. Outros 4,5 Kg são
eliminados nas 6 semanas seguintes, sendo cerca de 1,5 Kg na primeira semana
pós-parto e 3,0 Kg nas outras 5 semanas. Assim , esses 9 a 10 Kg serão
sempre perdidos , porque correspondem ao acúmulo de água durante a gestação.
A quantidade de quilos que ultrapassou esses 10 kg, será o restante que você
poderá perder durante o período de amamentação, ou seja, nos primeiros 6
meses.
13. Como eu faço para amamentar o Bebê?
Depende de motivação e aprendizado adequado.
A mama é preparada durante toda a gravidez para produzir leite em quantidade
suficiente para o recém-nascido. Vários hormônios estão envolvidos no
desenvolvimento e crescimento mamário, bem como na elaboração e ejeção do
leite.
Os principais hormônios são produzidos pela hipófise (ocitocina e prolactina);
eles atingem a corrente sangüínea e vão atuar sobre a mama na produção e na
liberação do leite.
A sucção é necessária tanto para produção quanto para a ejeção do leite. É
ela que mantém os níveis de prolactina adequados para que se dê a síntese do
leite - essa suspensão de proteínas e gorduras em solução de açúcar
(lactose) e sais de sódio. Cerca de 90% da composição do leite corresponde a
água.
O volume de leite produzido é variável de mãe para mãe. Sabemos que quanto
mais o bebê suga mais leite é produzido. Nos primeiros 2 dias após o parto
só é produzido o colostro (secreção pré-láctea rica em proteínas e
anticorpos), de cor amarelada, que é suficiente para manter as condições de
nutrição do bebê, até que ocorra a apojadura ou descida do leite
propriamente dito. Essa descida do leite acontece em geral 2 a 5 dias após o
parto. Não se preocupe com essa demora, pois o bebê nasce com reservas
energéticas suficientes para agüentar até a vinda definitiva do leite. É por
esse motivo que o bebê perde até 10% de seu peso de nascimento nesse
período. O volume de leite aumenta gradativamente de 120 ml por dia no
segundo dia, 170 ml no terceiro dia , 240 ml no quarto dia para cerca de 300
ml por dia a partir do quinto dia do período puerperal. Podemos calcular a
quantidade de leite produzido por dia, multiplicando-se o dia pós-parto por
60. Dessa forma 15 dias após o parto a produção do leite estará em torno de
900 ml por dia (15 x 60). Portanto, são necessários 14 a 15 dias para que
essa produção seja regular e constante.
TÉCNICAS DE AMAMENTAÇÃO
1. AMBIENTE CALMO E MÃE TRANQÜILA
2. POSIÇÃO DA MÃE E DO BEBÊ CONFORTÁVEL - em geral sentada em cadeira com
encosto na vertical e o bebê deitado fazendo um ângulo de 45 graus com o
plano horizontal, apoiado sobre os braços da mãe.
3. FAZER HIGIENE DAS MÃOS E MAMILOS
4. CADA MAMA DEVE SER SUGADA POR NO MÁXIMO 15 MINUTOS - em 5 minutos o bebê
é capaz de esvaziar 80% do leite de uma mama.
5. ANTES DE OFERECER O MAMILO, FAÇA COMPRESSÃO E EXPRESSÃO DA ÁREA
PERI-AREOLAR, PARA QUE SAIA O COLOSTRO QUE O BEBÊ DEVE PROVAR, FACILITANDO A
SUA SUCÇÃO.
6. MANTER A CRIANÇA ACORDADA DURANTE O ATO.
7. INTRODUZIR O MAMILO BEM PROFUNDAMENTE NA BOCA DO BEBÊ - ele deve
abocanhar toda a região areolar.
8. LEMBRAR QUE DURANTE A SUCÇÃO O BEBÊ TAMBÉM "MORDE" A REGIÃO IMEDIATAMENTE
ATRÁS DO MAMILO - área esta onde se encontra uma espécie de pequena bolsa
que acumula o leite que vem pelos ductos (canais) mamários a partir dos
ácinos (glândulas de leite). Dessa forma o leite é "esguichado" dentro da
garganta do recém-nascido e depois deglutido.
9. ANTES DE REMOVER O BEBÊ DO SEIO, ABRA SUAVEMENTE A BOCA DELE - para
evitar o efeito de vácuo que pode provocar rachaduras do mamilo.
10. LEMBRE-SE QUE ESSE É UM MOMENTO NÃO SÓ DE ALIMENTAÇÃO, MAS também DE
CARINHO E AMOR.
"O que mamamos com o leite só desvanece quando a alma
desvanece". (anônimo)
DEPRESSÃO PÓS-PARTO
Para falar desse assunto, veja o relato de um caso:
"Quando minha filha nasceu, esse foi o momento mais feliz da minha vida.
Tudo era perfeito. No entanto, sem nenhuma razão fiquei muito triste. Perdi
minha energia e sentia que tudo que acontecia era minha culpa. Eu ficava me
perguntando: "Por que?" Eu me sentia uma tola tendo esses sentimentos e não
queria que ninguém soubesse, pois pensava que poderia resolver isso por mim
mesma. Alguma coisa dentro de mim estava acontecendo que eu não podia
controlar. Eu não queria ter esses sentimentos, mas eles vinham quando eu
menos esperava. Por dentro eu dizia: " Desista. Você não vai conseguir ser
aquela mãe que você imaginava". Esses pensamentos me aterrorizavam e eu
balançava a cabeça e dizia " Que diabos você está dizendo! Isto não é o que
você quer." Mas eu sentia que nada me dava forças e que nunca mais eu seria
a mesma de antes. Fiquei com muito medo de estar prejudicando minha filha.
Eu permanecia em silêncio por estar me sentindo envergonhada, culpada e
isolada. "Eu sinto que vou ficar louca". Mas eu realmente precisava de ajuda
para me recuperar. Eu não podia fazer isso por mim mesma".
Essa narrativa revela a complexidade pessoal e clínica da depressão
pós-parto. O termo mais usado para descrever esse mal pós-parto - depressão
- tem sido aplicado indevidamente tanto para formas de depressão leves e
temporárias, que são muito comuns nos primeiros dias pós-parto, bem como
para reações psicóticas mais severas, que são mais raras. A síndrome é
caracterizada por sentimentos de tristeza na nova mãe. Há instabilidade
emocional extrema, irritabilidade, fadiga e choro fácil.
Apesar do aumento do número de pesquisas nessa área, pouco se sabe a
respeito do meio social que envolve o parto e o nascimento, especialmente,
quando a mãe deixa o hospital. Nos dias de hoje os casais estão mais
isolados da família, principalmente os que moram em grandes cidades. É
possível que a falta de apoio familiar, no sentido de ajudar a nova mãe
efetivamente (trocar fraldas, cuidar da casa, cuidar do bebê enquanto a mãe
descansa um pouco, etc.) seja um dos principais desencadeadores da depressão
pós-parto.
O tipo mais comum de depressão pós-parto é denominado "Baby Blues" ou
"Blues Pós-Parto" ou Distúrbio Afetivo Transitório Menor - o nome
mais comumente usado para descrever a instabilidade emocional e o choro que
ocorrem durante a primeira semana pós-parto. Na descrição dos sintomas estão
incluídos o choro prolongado, irritabilidade, noites mal dormidas,
alterações de humor e um senso de vulnerabilidade que pode continuar por
várias semanas. O "Baby Blues" transitório, tem um início súbito e
rápido, em geral, 1 a 3 dias pós-parto. As taxas de incidência variam de 500
a 800 casos por 1000 partos ( 50 a 80% ) dependendo dos critérios
diagnósticos. Portanto, se você ficar chorosa e triste a partir do 3º dia
pós-parto, não fique decepcionada, pois isso é muito comum e, em geral,
passageiro. No entanto, se as seguintes queixas continuam, ajuda
profissional deve ser indicada: piora dos distúrbios do sono, problemas
alimentares, aumento da intensidade e duração dos sentimentos depressivos,
isolamento social e retraimento ou falta de interação com o novo bebê. Pelo
menos eles refletem a falta de ajuda, conhecimento e informação que muitos
pais relatam, comparados a indivíduos pertencentes a culturas rurais com
famílias grandes. No meio rural as famílias moram muito próximas e há sempre
a mãe, a tia, a prima e vários outros amigos para ajudar a nova mãe.
Apesar de tratáveis, muitas mulheres com depressão pós-parto não reconhecem
que estão doentes. Um estudo em mulheres deprimidas pós-parto mostrou que
cerca de 90% achava que algo estava errado, no entanto, menos de 20% delas
relataram seus sintomas a algum provedor de saúde. Dessa amostra, somente
1/3 das pacientes acreditava que estavam com depressão pós-parto. De acordo
com alguns pesquisadores do assunto, estima-se que cerca de 20% das mulheres
com a doença recebem tratamento psicológico especializado. O restante dos
indivíduos afetados permanecem sem diagnóstico, têm um diagnóstico
equivocado ou não procuram assistência profissional especializada.
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