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Tenho HIV: posso engravidar? Médico explica o que acontece

Dr. Flávio Garcia de Oliveira
19/05/2015 18h37

Sigla para imunodeficiência humana, o HIV é um vírus que pode causar a Aids, doença que ataca o sistema imunológico (responsável por  defender o organismo de diversas doenças). No entanto, não são todas as pessoas portadoras do vírus que desenvolvem a doença. Ainda assim, mesmo sem os sintomas, um soropositivo pode transmitir o vírus através de relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas e, inclusive, através da gestação e da amamentação. É exatamente por isso que muitas mulheres, quando descobrem a presença do vírus, se perguntam se poderão se tornam mães biológicas.

 

Mulher soropositivo pode ter filhos?

Segundo o ginecologista e obstetra Flávio Garcia de Oliveira, especialista em reprodução humana, uma mulher com HIV pode engravidar desde que esteja com a carga viral negativa. “A paciente deve realizar os exames e, junto com o infectologista, vamos verificar como está o quadro. Se o índice de contaminação estiver baixo, então a gente parte para os métodos existentes”, explica.

Certificar-se do nível da contaminação viral é essencial para que mãe e feto tenham uma gestação saudável. “Durante a gravidez a imunidade geralmente baixa e, em mulheres positivas, isso pode causar a reativação da doença”, alerta o médico.

 

Como engravidar tendo HIV?

Como o sexo com um soropositivo deve ser sempre feito com preservativos, a fecundação deve acontecer de outra forma que não a natural.

Fecundação In vitro

A primeira alternativa é a reprodução assistida. “Nós colhemos os óvulos da mulher e os espermatozoides do homem e fecundamos fora do organismo. Depois de fecundado o material é inserido no útero e a gestação acontece normalmente”, explica o ginecologista.

Embora as chances de engravidar com esta alternativa sejam maiores, ela não é a única opção.

Inseminação artificial

Outra possibilidade é a inseminação uterina. Como o sêmen do parceiro está livre de vírus, ele pode ser implantado na mulher para que a fecundação aconteça dentro do organismo. “As chances de engravidar com a inseminação é menor e, por isso, ao longo do tempo acaba saindo mais barato optar pela fertilização intrauterina”, opina Flávio.

 

Devo tomar o coquetel na gestação?

O cenário ideal para uma gestação de soropositiva é o quadro de carga viral negativa. Assim, o controle da contaminação é feita mensalmente e o uso do remédio geralmente é desnecessário. “Hoje a gente já consegue controlar e prever a carga viral de uma pessoa, então, quando a gravidez é planejada, normalmente não há a necessidade de tomar os retrovirais”, conta o obstetra.

Gestações não planejadas e com mulher com carga viral positiva, no entanto, requerem cuidados especiais e acompanhamento ainda mais próximo de ginecologistas e infectologistas.

 

Quando um bebê pode pegar HIV?

Durante os dois primeiros trimestres da gravidez, segundo o especialista, os riscos são menores. “No começo da gestação a placenta funciona como uma barreira bem espessa”, comenta.

No entanto, conforme a idade gestacional avança, essa película de proteção afina. “O maior cuidado tem que ser no parto. As secreções e o sangue da mãe são os responsáveis pela contaminação. Por isso é sempre importante evitar o maior contato possível do bebê com esses fluidos”, recomenda o médico.

 

Grávida com HIV pode ter parto normal?

Segundo Flávio, o tipo de parto para soropositivas é indiferente. “O mais importante é controlar o tempo todo o sangramento em uma cesárea e evitar fazer a episiotomia ou machucar o canal vaginal no parto normal” diz.

O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, no entanto, recomenda que a análise seja feita de acordo com cada caso.

Mulheres com carga viral maior ou igual a 1000 cópias/ml ou desconhecida após 34 semanas de gestação podem ter a cesariana eletiva – sem entrar em trabalho de parto e sem romper a bolsa – como o melhor caminho.

Já soropositivas que entram em trabalho de parto e ou que não fizeram acompanhamento durante a gestação devem ter a escolha baseada na fase da gravidez, no tempo que cada via de nascimento leva e nas possibilidades de complicações.

Para completa prevenção, uma injeção também é aplicada no início do trabalho de parto ou antes da cesárea.

O recém-nascido também deve receber um xarope do mesmo medicamento nas primeiras duas horas após o nascimento e fazer acompanhamento por exame de sangue do nível de ferro no sangue.

 

Soropositiva pode amamentar?

A amamentação por mães portadoras do HIV não é recomendada. “O vírus é transmitido também pelo leite”, conta o médico. A fórmula infantil é a saída segura e o Sistema Único de Saúde (SUS) fornece gratuitamente o produto até, no mínimo, os primeiros 6 meses de vida da criança.

 

 

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