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É possível ter filhos após o câncer?

Dr. Flávio Garcia de Oliveira
16/12/2015 06h43

O diagnóstico de câncer é sempre muito difícil. Além do baque no recebimento da notícia e da preocupação com a saúde, os pacientes ficam receosos com o futuro, com diversas dúvidas sobre como serão suas vidas dali em diante.

Uma das preocupações dos pacientes jovens diagnosticados com a doença é se poderão ter filhos após o tratamento oncológico.

Um paciente com câncer não necessariamente ficará infértil. Contudo, há estudos os quais demonstram que a presença de um tumor maligno no organismo pode ocasionar a diminuição na qualidade dos óvulos, nas mulheres, e provocar alterações na concentração (quantidade) e na qualidade dos espermatozoides, nos homens. Qualquer tipo de câncer pode provocar essas alterações. Por isso, é sempre importante que o paciente saiba que é possível preservar sua fertilidade, desde que se atente para o fato.

A preservação da fertilidade se dá por meio da técnica de congelamento de óvulos e da criopreservação de espermatozoides. Antes de iniciar o tratamento oncológico, o paciente passa pelo procedimento e, mais tarde, na ocasião da remissão da doença ou de sua cura pode usar o material para gerar um filho.

O procedimento é semelhante ao utilizado na Fertilização In Vitro (FIV). Nas mulheres, antes do início do tratamento oncológico, é feita uma estimulação dos ovários com hormônios durante um período de 12 até 15 dias. Os óvulos produzidos serão coletados e armazenados. Posteriormente, com a liberação do oncologista, assim que a paciente puder e quiser engravidar, é feita fertilização dos óvulos. Os embriões provindos desta fertilização serão desenvolvidos em laboratório. Quando estiverem num estágio de desenvolvimento adequado serão transferidos de volta para a paciente. Nesta segunda fase, o útero da mulher é preparado para receber os embriões.

Nos homens, os espermatozoides são coletados e armazenados geralmente com antecedência de duas semanas antes do início do tratamento. Desta forma, seu material reprodutivo ficará preservado.

Pesquisas já demonstraram que a taxa de manutenção da capacidade reprodutiva em indivíduos com câncer submetidos a técnicas de reprodução assistida, como a criopreservação de óvulos e espermatozoides, é a mesma que em indivíduos inférteis submetidos a diferentes técnicas de reprodução assistida.

É importante lembrar que os tratamentos para o câncer nem sempre acabam com a reserva de óvulos e espermatozoides.  Por isso, é essencial que os pacientes que não fizeram o congelamento do material reprodutivo, façam exames que avaliem a reserva ovariana e espermática após o tratamento do câncer. 

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