ABC da Fertilidade -
Número 09 – Ano 01
Infertilidade: o fator cervical
 

 

No período periovulatório, o canal cervical produz o muco, secreção translúcida semelhante à clara de ovo, responsável pelo transporte e armazenamento dos espermatozóides no trato reprodutor feminino. Ao entrar em contato com o muco cervical, os espermatozóides passam pela fase de maturação, ou seja, tornam-se capazes de fertilizar o óvulo.

As condições associadas ao canal cervical podem contribuir para a infertilidade, embora raramente este problema seja a única causa. Para determinar alguma falha, seu médico pode pedir um teste pós-coito (PCT). A análise desse material revela a capacidade dos espermatozóides nadarem no muco.

O teste é feito em laboratório, sem incômodos e leva poucos minutos. Se o número de espermatozóides se movimentando for muito baixo, pode ser indício de algum problema ligado à produção destes espermatozóides, à vagina, ao muco cervical ou problema imunológico. Em alguns casos pode haver a presença de proteínas (anticorpos) que matam ou imobilizam o espermatozóide. Exames do muco, do espermatozóide e de sangue podem ser necessários para detectar a presença dessas proteínas.

Se a qualidade do muco for inadequada, o canal cervical pode não estar funcionando adequadamente. A explicação mais comum é de que o teste tenha sido feito no dia errado. Mas também pode haver algum problema ligado a cirurgias cervicais anteriores.

Problemas cervicais geralmente são tratados com antibióticos, hormônios ou por inseminação intrauterina. É importante a mulher saber se fez biópsias, cirurgias, tratamentos com laser ou congelamento, papanicolau anormal ou se a mãe ingeriu o medicamento DES (dietilestilbestrol) enquanto esteve grávida, pois estas condições poderem alterar a produção do muco cervical.