ABC da Fertilidade -
Número 05 – Ano 01
Infertilidade: o fator masculino
 

 

Em cerca de 40% dos casais inférteis, a causa da infertilidade está direta ou indiretamente ligada ao homem. Várias doenças do sistema reprodutor masculino podem alterar os parâmetros normais do sêmen ejaculado e impedir a reprodução.
Para verificar se a causa da infertilidade é mesmo devida a um fator masculino podem ser feitos vários exames, como o espermograma, que é o nome dado à análise do sêmen ejaculado.
O homem, após ficar 48 horas sem ejacular, colhe uma amostra de seu sêmen no laboratório ou em casa. Este sêmen é analisado no microscópio para que se determine a concentração dos espermatozóides, sua motilidade (movimento) e morfologia (formato).

O espermograma normal
Concentração: deve ser acima de 20 milhões por mililitro de sêmen
Motilidade: deve ser acima de 50% de espermatozóides móveis ou 25% do tipo “A”
(os espermatozóides do tipo “A” são aqueles que possuem um movimento direcional rápido e linear, como uma “flecha que caminha para o alvo”)
Morfologia: 14% ou mais de espermatozóides normais, segundo critérios de Kruger ou 60% ou mais segundo a Organização Mundial de Saúde
Vitalidade: 75% ou mais de espermatozóides vivos

Entre as doenças masculinas mais importantes causadoras de infertilidade estão as infecções e suas conseqüências (uretrites, orquites, epididimites e prostatites), a varicocele (varizes nos testículos) e os problemas imunológicos. Todas elas podem levar a um maior ou menor grau de oligoastenospermia (diminuição da concentração e da motilidade dos espermatozóides) ou mesmo azoospermia (ausência de espermatozóides).

Tratamentos
Infecções: prescrição de antibióticos
Varicocele (presença de varizes no escroto) ou obstrução nos ductos que conduzem os espermatozóides: correção cirúrgica
Baixa produção ou ausência de espermatozóides: hormônios ou inseminação intra-uterina. A fertilização in vitro (FIV) e a técnica de injeção intra-citoplasmática de espermatozóides (ICSI) também podem ser ótimas alternativas de tratamento.

Alguns casos raros de fatores masculinos podem não responder ao tratamento. Se isso ocorrer, deve-se discutir a possibilidade de usar espermatozóides de doadores anônimos ou outras opções.
 

 

Importante: De cada 100 homens, 96 possuem espermatozóides no sêmen ejaculado e 4 não possuem. Destes, 3 possuem espermatozóides no epidídimo ou testículo. Somente 1 em cada 100 homens vai precisar recorrer a Bancos de Sêmen.