DETALHES DAS ETAPAS
DA FERTILIZAÇÃO IN VITRO
1 - ESTIMULAÇÃO DA OVULAÇÃO
2 - CAPTAÇÃO DOS ÓVULOS
3 - FERTILIZAÇÃO EM LABORATÓRIO E FORMAÇÃO DOS PRÉ-EMBRIÕES
4 - TRANSFERÊNCIA DOS PRÉ-EMBRIÕES
5 - SUPORTE DA FASE LÚTEA
6 - TESTE DE GRAVIDEZ
7 – VERIFICAÇÃO DA GRAVIDEZ CLÍNICA1 - ESTIMULAÇÃO DA
OVULAÇÃO
Esta é a primeira fase
do tratamento onde é realizada a estimulação dos ovários com medicações
hormonais (FSH recombinante) cujo objetivo é produzir número suficiente de
óvulos, de modo geral acima de 6 óvulos maduros, para que se possa fazer uma
seleção de embriões de excelente qualidade do ponto de vista morfológico e
de velocidade de crescimento, para serem transferidos para o útero da
paciente. Uma vez que sejamos capazes de transferir embriões de excelente
qualidade para o útero materno, estaremos garantindo uma ótima chance de
gravidez.
Como podemos observar
essa etapa influencia de modo significativo o sucesso das outras etapas do
processo. Por isso, ela deve ser muito bem controlada e a medicação deve ser
muito bem dosada, pois cada paciente poderá responder de modo diferente à
mesma dose de remédio (FSH) administrada. Devemos evitar nessa etapa tanto a
falta quanto o excesso de resposta ao estímulo. Por isso é de fundamental
importância conhecer dados clínicos da mulher como peso, altura e as
características dos ovários ao ultra-som transvaginal, medidas no terceiro
dia do ciclo menstrual. Nesse momento já é possível prever que dose será
suficiente para a maioria das pacientes.
Existem diversas
maneiras de estimular os ovários (protocolos de estimulação). A grande
maioria das clínicas segue uma mesma linha de estimulação ovariana.
A estimulação ovariana
pode ser dividida em 2 fases: fase inicial ou de bloqueio e a fase de
estimulação. Fase de bloqueio: a paciente usará uma medicação que tem como
objetivo bloquear a ação da hipófise sobre o ciclo menstrual natural, por
isso o tratamento poderá começar em qualquer fase do ciclo menstrual. O
bloqueio é necessário para termos um controle total do ciclo de tratamento,
além de fazer com que todos os folículos (estruturas do ovário onde os estão
óvulos) cresçam juntos, evitando a ovulação antes da hora.
Uma outra forma mais
recente de estimulação, que tem a vantagem de economizar dias de estímulo e
injeções, é aquela em que começamos a medicação FSH recombinante no 3º dia
do ciclo menstrual. A medicação para bloquear a hipófise só começa a ser
utilizada quando os folículos estão com diâmetro em torno de 14 mm. Esse
esquema encurta em 15 dias o ciclo de tratamento.
Resumindo: Durante a
estimulação a paciente usará uma medicação (hormônio folículo-estimulante –
FSH recombinante) que vai agir sobre os ovários, provocando a formação de
óvulos maduros que serão aspirados. Em um dado momento da estimulação, a
paciente deverá fazer controles diários ou em dias alternados de
Ultra-sonografia e dosagens hormonais (estradiol e progesterona), pois com
isso saberemos exatamente o melhor momento para marcar a aspiração dos
óvulos. A avaliação do desenvolvimento folicular é feita pela medição do
diâmetro médio do folículo com ultra-som transvaginal. Quando pelo menos
dois folículos atingem um diâmetro maior ou igual a 18-20 mm administra-se
uma nova medicação com hora marcada chamada hCG (gonadotrofina coriônica
humana) e 34-36 horas após realizamos a coleta dos óvulos.
2- CAPTAÇÃO DOS
ÓVULOS
No momento em que temos pelo menos 2
folículos, cujo diâmetro médio é maior ou igual a 18 mm, fazemos a
administração de hCG (gonadotrofina coriônica humana), 10.000 UI por via
intramuscular, e cerca de 34 a 36 horas após fazemos a captação dos óvulos,
através da aspiração transvaginal dos folículos ovarianos, guiada pelo
Ultra-som. É um procedimento simples que exige uma leve sedação, ou seja, a
paciente dorme durante alguns minutos, enquanto seus óvulos são coletados
dos ovários. Uma agulha comprida e fina é dirigida ao fundo da vagina pelo
próprio dispositivo de fazer ultra-som transvaginal (o chamado transdutor).
Nessa região, ou seja, no fundo da vagina é que encontramos os ovários
repletos de folículos contendo os óvulos. Com o transdutor posicionado sobre
cada ovário (primeiro do lado direto e depois do lado esquerdo) fazemos uma
punção com a agulha guiada pelo ultra-som, o que nos permite aspirar cada um
dos folículos ovarianos que contém óvulos. Esse líquido aspirado de cada
folículo (e que contém o óvulo) cai direto dentro de um tubo de plástico
apropriado, acoplado à agulha, que é encaminhado ao laboratório de
embriologia para identificação e classificação do óvulo. Após o procedimento
a paciente descansa por 20 minutos e retorna a sua residência ou ao
trabalho, onde vai aguardar as orientações para as próximas etapas.
3 - FERTILIZAÇÃO EM
LABORATÓRIO E FORMAÇÃO DOS PRÉ-EMBRIÕES PELA TÉCNICA DE FIV CONVENCIONAL E
PELA TÉCNICA DE ICSI (MICROMANIPULAÇÃO DOS GAMETAS E OBSERVAÇÃO DO
DESENVOLVIMENTO DOS PRÉ-EMBRIÕES)
Uma primeira forma de fertilização é a
fertilização in vitro convencional (FIV convencional). Consiste em colocar
um óvulo para cada 100 a 150 mil espermatozóides dentro de um recipiente
apropriado feito de plástico inerte contendo um meio de cultura específico,
para que apenas um desses espermatozóides penetre em cada óvulo disponível.
Deste modo, os gametas masculinos vão procurar fertilizar o óvulo por sua
própria “vontade”.
Uma outra maneira de fertilização é a injeção
intra-citoplasmática do espermatozóide (ICSI), ou seja, um único
espermatozóide será apanhado por uma microagulha e será injetado dentro de
cada óvulo disponível. A injeção de um único espermatozóide em cada óvulo
maduro (em estado de metafase II ou MII) é feita após a limpeza dos mesmos
em meios e soluções especiais.
A fertilização (presença de 2 pronúcleos) é
verificada em microscópio invertido cerca de 18 hs após, tanto na FIV
convencional quanto na ICSI.
Os pré-embriões, nessa fase denominados de
zigotos, são colocados em cultura onde serão avaliados quanto ao seu
desenvolvimento e clivagem. É desta forma que determinamos a qualidade
embrionária. De maneira geral, os pré-embriões de boa qualidade são aqueles
com uma taxa de crescimento e clivagem (divisão) normais (duplicam o número
de células a cada 24 h, ou seja, em 24 h = 2 células, em 48 h = 4 células,
em 72 h = 8 células e assim por diante). As células são simétricas e há
muito pouco acúmulo de fragmentos celulares no interior de um pré-embrião de
excelente qualidade. Alguns fatores como os meios de cultura, a temperatura
e o pH do meio podem influenciar no bom desenvolvimento e na qualidade dos
pré-embriões. Por isso eles devem ser mantidos em estufas especiais e sob
condições também especiais de temperatura e pH. Devem ser transferidos para
o útero materno tão logo seja possível.
4 - TRANSFERÊNCIA DOS EMBRIÕES
A colocação dos embriões no interior da
cavidade uterina é feita cerca de 48-72 h, às vezes até 120h, após a
captação dos oócitos e fertilização dos mesmos. É um procedimento rápido e
simples e não requer sedação ou anestesia. Os pré-embriões são colocados em
um diminuto tubo de plástico inerte (catéter de transferência), cujo
diâmetro é pequeno o suficiente para ultrapassar o canal cervical e chegar
ao interior da cavidade uterina. Nesse ponto os pré-embriões são
“empurrados” para o revestimento interno do útero (endométrio) através de
uma mínima pressão sobre o êmbolo da seringa de insulina que está acoplada
ao catéter de transferência. Esse processo todo é realizado com bexiga cheia
e sob controle ultra-sonográfico para monitorizar a posição do catéter e o
local correto para colocar os pré-embriões dentro da cavidade uterina. A
paciente já com os pré-embriões dentro do útero permanece 15 a 20 minutos de
repouso após o procedimento e é liberada para casa onde deverá permanecer
sem atividade física intensa por mais 24 horas. O ideal é não programar
viagens para o mesmo dia da transferência. Dois dias após o procedimento a
paciente pode ter vida normal, inclusive pode ter relações sexuais com o
marido sem se preocupar.
5 – SUPORTE DA FASE LÚTEA
Uma vez que os pré-embriões estão dentro da
cavidade uterina, o uso de hormônios que auxiliam o fenômeno da implantação
(ligação do embrião ao revestimento uterino) é obrigatório. O mais
importante deles é a Progesterona. É importante ressaltar que esse hormônio
além de auxiliar a implantação por estimular a secreção de substâncias
nutrientes ao nível do endométrio que irão nutrir o pré-embrião, é um
excelente relaxante uterino, que pode evitar contrações uterinas excessivas
nessa fase. A Progesterona na forma de supositórios vaginais (Crinone – 8 mg)
duas vezes ao dia, via oral (Utrogestan, Evocanil) 200 mg, quatro vezes ao
dia, são os esquemas de administração mais frequentemente utilizados.
6 - TESTE DE GRAVIDEZ
A dosagem de beta – hCG é feita no sangue 12
dias após a transferência dos pré-embriões, e um valor acima de 30 UI/ml é
considerado positivo para gravidez de boa evolução.
7 – VERIFICAÇÃO DA GRAVIDEZ CLÍNICA
Quinze a vinte dias após a dosagem do beta-HCG
positiva é feito um primeiro exame de ultra-som transvaginal para verificar
a presença do saco gestacional e do polo embrionário em desenvolvimento.
Nesse momento nós avaliamos a gravidez e o bebê em desenvolvimento. Nos
asseguramos a paciente também de que a gravidez está dentro do útero e
também determinamos se há implantação de mais de um embrião (gêmeos).
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